Category Archives: Vintage

Who needs guitars? pt. I

cítara afinas ou nao afinas

Assumidamente gosto de guitarras, mas por vezes aborrece-me que não me cheguem às mãos outro tipo de instrumentos de corda. Este é o primeiro tópico de uma série dedicada a instrumentos menos convencionais.

Neste caso temos uma cítara que tem, pelo menos, 89 anos. Foi oferecida à avó do dono actual na noite de Natal de 1922. O instrumento encontrava-se em mau estado mas consegui recuperá-lo preservando todas as peças originais… com excepção para as cordas. Só avancei com este trabalho depois de me certificar que estava vacinado contra o tétano.

Muito obrigado ao Pedro, pelo patrocínio na quebra da rotina neste atelier.

Deixo-vos algumas fotos.

cítara antes do restauro afinas ou nao afinas

Um pormenor do grafismo da cítara e do estado avançado de corrosão das ferragens:
cítara grafismo

Corda a corda, num total de 20.
cítara chave de afinação

Esta cítara tem dois acordes – Sol e Dó maior – com 4 cordas para cada um. Às restantes cordas está atribuída a escala diatónica, numa extensão de quase 2 oitavas.
cítara prenda de natal 1922

Cap today, gone tomorrow

Tive o prazer de fazer uma muy merecida revisão a este Simms-Watts MKII. Certamente irão ouvi-lo nos próximos trabalhos gravados nos Estúdios Sá da Bandeira, no Porto. Take a peek.

Antes:
simms watts mkii capjob before gut shot afinas ou nao afinas

Depois:
simms watts mkii capjob after gut shot afinas ou nao afinas

Amp land

afinas ou nao afinas ampland ampeg marshall jtm60 thd bivalve mesa boogie lonestar simms watts fender super twin reverb

Oh no! Mais uma mão cheia de 6 amplificadores a válvulas. Polidactilia é o termo apropriado.
No sentido horário:

- THD Bivalve;
- Mesa Boogie Lonestar Classic;
- Simms-Watts Plexi 100;
- Ampeg Reverberocket 50;
- ’78 Fender Super Twin Reverb;
- Marshall JTM60.

Route 66

fender mustang 66

Já há muito que esta guitarra deveria ter entrado para este blog. As fotos chegam mesmo a tempo do primeiro aniversário do atelier Afinas ou Não Afinas? na rua do Breyner.

É uma Fender Mustang de 1966 e, além do peso dos anos, carrega também três generosas camadas de tintas e vernizes. Como já tinha referido anteriormente neste blog, o vermelho Dakota foi reprimido pela cor azul, no tempo de Salazar. Uns anos mais tarde, descontente com o azul FCP, a guitarra foi novamente pintada de preto. Está então na altura de devolver a dignidade a esta guitarra. Inicialmente foi ponderada a cor Daphne Blue, Sonic Blue até que finalmente decidi, em cojunto com o cliente, que o projecto passaria por devolver a guitarra ao seu estado original, na medida do possível. Em termos de acabamento, tentarei replicar o estado actual da guitarra, não tivesse ela sido sujeita aos processos que descrevi.

Contudo, os problemas da guitarra não se resumiam ao acabamento: os trastos estavam em péssimo estado, a pestana partida, algumas das ferragens a precisar de uma boa dose de TLC.

mustang pickguard
O chanfro desta pickguard não escapou à tinta preta.

mustang fretboard coming off
E os problemas continuam. A escala está descolada.

finishing schedule nitro
Antes de começar seja o que for, faço uma planificação dos passos seguintes e são feitas várias anotações para referência futura.

vintage mustang stripping finish
Aqui podemos apreciar a quantidade de tinta que camuflava o, ainda intacto, Dakota Red. Se não estou em erro, podem ver-me de raspador nas mãos a trabalhar nesta guitarra, no vídeo de apresentação Afinas ou Não Afinas? em 30 Segundos.

mustang stripped finish
Aproveitei para deixar visível um pouco da cor original, para a fotografia. Foi bom constatar que o acabamento original ainda lá estava, uma vez que me permitiu ter a melhor referência para acertar a cor.

mustang dakota red nitro
Segue-se então um par de camadas preliminares para a base da cor, que foi então seguida de várias camadas de verniz nitroceluloso.

mustang bone nut
Enquanto tinha o corpo hipotecado na estufa fiz uma nova pestana de osso.

E para terminar:
mustang nitro refin final

mustang nitrocelulose refin dakota red

Muito obrigado ao Ricardo, por me ter confiado este trabalho.

Changing diapers

Dentro de qualquer amplificador a válvulas podemos encontrar estes componentes. São condensadores electrolíticos e o seu tempo de vida ronda os 20 anos.

Esta fotografia foi tirada a um Fender Pro Reverb, da era Silverface. O amplificador ainda pertence ao dono original e, embora tenha a informação de que esta máquina esteve mais do que uma década parada, os condensadores já prescreveram há muito, muito tempo.

A substituição destes componentes, neste caso, é imperativa e podemos concluir isso observando o pólo positivo, onde se começam a formar pequenas protuberâncias à sua superfície. Intumescência electrolítica, chamemos-lhe. Eventualmente o condensador começa a sangrar (reparem no caso do terceiro a contar da esquerda) e entra em curto-circuito, ainda que o aparelho já tenha deixado de estar em condições óptimas antes disso acontecer. Essa sobrecarga poderá levar mais alguns componentes que se encontrem no seu caminho e o valor da reparação irá subir.

Regra geral, os condensadores electrolíticos são desenhados para durar entre 10 e 20 anos. Inevitavelmente, e porque estes componentes acumulam quantidades de energia capazes de matar um adulto, qualquer amplificador a válvulas deverá ser analisado por um profissional competente de 10 em 10 anos, mesmo que não apresente sinais de mau funcionamento.

Guess what, I’m too lazy to translate today. Try Google Translate. That should be a fun read.

The house of bass

70s precision bass headstock

4 entradas consecutivas sobre baixos no blog. Ufa.

Este é o Precision Bass do Jorge Romão (GNR), dos anos 70. A sessão de spa incluiu uma nova pestana em osso, fretdressing (uma operação que consiste em nivelar, bolear e polir todos os trastos) e uma nova pickguard que, invariavelmente, foi sujeita a envelhecimento precoce, tendo como inspiração a pickguard original.

Juntemos-lhe um conjunto de cordas de calibre .050″-.105″ e estamos prontos para a estrada.

4 bass-related posts in a row. Wow.

This 70′s Precision Bass belongs to GNR‘s Jorge Romão, and it’s his main axe. While in the shop, I had it fitted with a new bone nut, fretdressing (a compound procedure that consists of leveling, crowning and polishing the frets to a shine), as well as a new pickguard, carefuly reliced to the original broken pickguard’s dings and swirls.

Add some .050″-.105″ nickel strings and we’re back on track.

70s precision bass pickguard relic

70s precision bass hardcase

Gibson EB-3 ’71

gibson eb3

Este é um baixo Gibson EB-3, com escala de 30,5 polegadas (shortscale). Foi popularizado por Jack Bruce, nos Cream, entre outros baixistas.

O modelo EB-3 foi alvo de sucessivas alterações ao longo dos anos e, este em particular, é relativamente fácil de datar.

- Mouting ring plástico no pickup do braço (que também conhecido como mudbucker), pelo seu grave flatulento. O pickup também se encontra suspenso por molas, ao contrário de outros EB-3;
- Circuito varitone de 4 posições;
- Os pickups contam com o logótipo Gibson gravado em baixo-relevo;
- A saída do baixo está montada na ilharga e não no tampo;
- Ponte tune-o-matic com selas de plástico (polioximetileno, para os curiosos);
- Logótipo em pérola sem ponto na letra i;
- Afinadores montados lateralmente. Este design contribui para um baixo bem mais equilibrado, com uma posição de repouso praticamente neutra.

This is a Gibson EB-3, shortscale bass (30,5″). I bet anyone remembers Jack Bruce playing this bass.

This one’s easy to date:

- There’s a plastic mounting ring surrounding the neck pickup, which is mounted on springs;
- Varitone circuit;
- Gibson logo stamped on each pickup;
- Side-mounted output jack;
- Plastic saddles (polyoxymethylene, if you’re wondering) on a tune-o-matic bridge;
- Pearl logo, undotted i;
- Side-mounted tuners, on a slotted headstock that actually removes just the right amount of mass to make the bass more balanced and comfortable to play with.

gibson eb3 body

gibson eb3 headstock

gibson eb3 electronics

gibson eb3 pickup patent

gibson eb3 1971

Celebrity bassmatch

hofner 500/1 versus gibson eb3

Hofner 500/1 versus Gibson EB-3. Brevemente

Hofner 500/1 versus Gibson EB3. Soon.

’76 Black Beauty

gibson les paul custom 76 headstock

34 anos de rock numa fretless wonder dizem-nos que está na hora de substituir os trastos. O binding encontra-se na sua forma original, com as insuspeitas nibs.

34 years of rock ‘n roll on a fretless wonder tells us it’s time for… a refret. Note that the nibs were not harmed.

gibson les paul custom 76 black beauty

fret block

gibson les paul custom fret nibs

on the radio (soon)

x-wife fender precision bass 76

Os fãs dos X-Wife irão reconhecer este baixo. Este Precision Bass de 1975 estava com os trastos completamente inutilizados, a pestana apresentava sulcos demasiado baixos, que mais baixos seriam depois de trocar os trastos. Tratando-se de uma operação directa e, portanto, reversível, a ponte foi substituída por uma Leo Quan Badass II. A pickguard original encontrava-se partida em vários pontos críticos, tendo sido substituída anteriormente por uma fabricada manualmente, com resultados pouco satisfatórios. Tratei então de substituir por uma pickguard nova, que esteve sujeita às habituais técnicas de envelhecimento precoce, com o objectivo de garantir a sua funcionalidade sem ferir o charme deste baixo.

Na eventualidade do pickup activo EMG vos fazer comichão, posso assegurar que soa lindamente. Poderão testemunhá-lo no próximo álbum dos X-Wife que se encontram em estúdio neste preciso momento.

Fans of the electro-rock band X-Wife will certainly recognise this bass. It’s a Fender Precision Bass built around 1975. It’s frets were worn as worn can be. The nut slots were too low even before the fretjob, so a new nut had to be made along with a brand new Leo Quad Badass II bridge. Also brand new is the pickguard, which would appear like so, had it not been subjected to my usual aging techniques. The previous pickguard was custom made but was far from a perfect fit and also a bit on the ugly side as well.

Vintage gear nerds are expected to get a bit nervous after spotting that EMG active pickup. I assure you guys it sounds just wonderful on this bass. You’ll get a chance to agree with me, as the band is now recording their 4th studio effort.

x-wife by diana rui

Foto por Diana Rui – Photography.
Photo by Diana Rui – Photography.