Category Archives: Guitarras

You spin me round

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Já não escrevia aqui há uns tempos mas, há cerca de meia dúzia de entradas atrás, modifiquei uma Fender Telecaster, onde coloquei um humbucker da Bare Knuckle. Agora temos outra Telecaster (gosto muito de Telecasters e não há nada a fazer). Espetei-lhe com um pickup Wide Range na posição do braço e aproveitei para dar uma voltinha ao meu brinquedo novo: uma fresadora. A precisão dos cortes e a versatilidade da máquina justificam a quantidade de pessoas que ajudaram a transportá-la para a sala das máquinas do atelier. Foi um dia transpirado.

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Como resultado temos agora uma espécie de Telecaster Custom ’72 que, entretanto, já seguiu viagem para Leiria.

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Rock and Roll History X

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Esta guitarra é, sem grandes dúvidas, a mais emblemática que me terá passado pelas mãos.

Senão vejamos:
– O Lee Ranaldo usa-a há mais de 30 anos, pré-Sonic Youth;
– A guitarra foi roubada em 1999 e, entretanto, devolvida em 2005 com a cor actual;
– Creio que esta guitarra já teve 3 braços diferentes, ao longo dos anos;
– O Kurt Cobain tocou nesta guitarra enquanto convidado num concerto dos Mudhoney a abrir para Sonic Youth, em Setembro de 1992.

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Outras curiosidades incluem uma pestana de latão, um pickup da ponte consideravelmente mais brando que o do braço, trastos jumbo e uma afinação pouco convencional, sem surpresas. Aqui temos C G C C c G. Esta guitarra é tocada com um arco de violino na música Hammer Blows, do recente álbum a solo Between the Times and the Tides.

E agora, fotos com força:

On the road w/ Lee Ranaldo

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Ainda haverá quem não saiba que neste momento encontro-me fora do atelier. O regresso ao trabalho na rua do Breyner está agendado para o dia 19 de Junho. Até lá, estarei a acompanhar o Lee Ranaldo na sua digressão pela Europa. A banda é composta pelo Lee Ranaldo, Steve Shelley (também dos Sonic Youth), pelo Alan Licht e pelo Irwin Menken.

Hoje foi o dia do San Miguel Primavera Sound (Barcelona). Deu para conhecer alguns elementos dos Mudhoney e dos Wilco… não consegui ver Mazzy Star. Amanhã partimos para Geneva para, de seguida passarmos por Düdingen/Bad Bonn, para o festival Kilbi. Lá para a frente passaremos pelo Porto, para vos dar um olá. Apareçam se puderem.

Pelo meio espero restar algum tempo para recolher, editar e publicar algumas fotos.

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Até já.

Blast from the past

Deixo-vos uma pequenina colecção de fotos de alguns dos instrumentos que por aqui passaram nos últimos meses. Todos eles construídos nas décadas de 50 e 60, provenientes da Europa, Ásia e América do Norte.

voss
Esta guitarra era distribuída pela Voss, um distribuidor alemão, nos anos 50. De acordo com o testemunho do meu cliente, a guitarra foi comprada no ano de 1954. Faltavam-lhe algumas selas e a electrónica estava com problemas menores. Esta guitarra precisa de um neck-reset mas não será para já.

hofner guitar vintage
Aqui temos uma Hofner Model 126 com os pickups Type 510. Esta guitarra é da primeira metade da década de 60. Já foi alvo de restauro, pelo que já conta com algumas alterações.

harmony monterey vintage guitar
Continuando na década de 60, temos agora uma Harmony Monterey. Trouxeram-me esta guitarra por causa de uma vibração mecânica irritante em certos registos da escala. Tudo isto se devia a uma trave descolada no tampo inferior. Para manter o preço da reparação tão baixo quanto possível, contornando o embróglio de separar o tampo inferior para garantir o acesso à tal trave, tive de apostar na criatividade e o problema foi resolvido com grampos construídos propositadamente para este trabalho e uma série de ímans, cada um deles com uma força de atracção de 17 kilos. O meu cliente tem esta guitarra afinada em open G. Delta Blues instantâneo.

gibson es 335-12 vintage afinas ou nao afinas celso pinto luthier porto
Continuando na América do Norte, temos esta Gibson ES 335-12, que apresentava uma geometria algo deformada ao nível do braço. Se, por acaso, se cruzarem com o sexteto do Miguel Moreira, irão apreciar esta guitarra de 12 cordas num contexto bem diferente do tradicional.

yamaha sbv500 vintage
Passando para o outro lado do planeta, temos um Yamaha SBV500 (?) bem antiguinho mas em óptimo estado. Coisa bonita! Numa próxima entrada deste blog vou falar mais um bocadinho sobre este baixo e algumas das suas particularidades.

Murder, death, killswitch

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Volta e meia pedem-me para me divertir com a electrónica dos instrumentos. Neste caso a ideia é tornar uma Telecaster um pouco mais versátil e stage-ready. Coloquei um par de pickups Bare Knuckle (VHII e Black Guard), um killswitch e um selector de 4 pólos com 5 posições, onde é possível aceder a todas as combinações convencionais com o humbucker ou single coil na posição do braço. Um simples potenciómetro push-pull seria suficiente, mas a permutação entre combinações seria um nadinha mais elaborada. Evidentemente, tive de remodelar a cavidade para o pickup da posição do braço e, a pedido do meu cliente, a orientação da placa da electrónica foi invertida.

A tabela de combinações é então a seguinte, estando assinaladas com um asterisco as posições convencionais de uma Telecaster:

1ª posição: neck (full humbucker)
2ª posição*: neck (coil split)
3ª posição: neck (full humbucker) + bridge
4ª posição*: neck (coil split) + bridge
5ª posição*: bridge

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Considerando o espaço reduzido da cavidade da electrónica, não há forma de fazer este trabalho sem deixar emancipar uma certa obsessivo-compulsividade e, enfim, manter a casa arrumada.

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A juntar ao killswitch, temos um condensador Vitamin Q e um outro, cerâmico, como treble bleed, para preservar o registo de frequências mais agudas enquanto se reduz o volume.

Et voilá. Uma vez mais, a Bare Knuckle não desilude.

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