Category Archives: Baixos

Family Portrait

Em vésperas de mais uma digressão com o Lee Ranaldo, deixo-vos um bonito retrato de alguns de alguns instrumentos envolvidos nos últimos trabalhos.

family-values

Para os curiosos, da esquerda para a direita:

– Fila traseira: Hofner 500/1, Hofner Club Bass, Hofner 500/1
– Fila intermédia: Hagstróm Concord, Burns Double-Six, Teisco Shark Fin, Hofner 185
– Primeira fila: guitarra portuguesa construída por João Pedro Grácio Júnior que, algures no passado, pertenceu a Carlos Paredes. Um pedaço da nossa história musical que tive o prazer de restaurar. Brevemente irei publicar algumas fotos e pormenores sobre este trabalho.

Blast from the past

Deixo-vos uma pequenina colecção de fotos de alguns dos instrumentos que por aqui passaram nos últimos meses. Todos eles construídos nas décadas de 50 e 60, provenientes da Europa, Ásia e América do Norte.

voss
Esta guitarra era distribuída pela Voss, um distribuidor alemão, nos anos 50. De acordo com o testemunho do meu cliente, a guitarra foi comprada no ano de 1954. Faltavam-lhe algumas selas e a electrónica estava com problemas menores. Esta guitarra precisa de um neck-reset mas não será para já.

hofner guitar vintage
Aqui temos uma Hofner Model 126 com os pickups Type 510. Esta guitarra é da primeira metade da década de 60. Já foi alvo de restauro, pelo que já conta com algumas alterações.

harmony monterey vintage guitar
Continuando na década de 60, temos agora uma Harmony Monterey. Trouxeram-me esta guitarra por causa de uma vibração mecânica irritante em certos registos da escala. Tudo isto se devia a uma trave descolada no tampo inferior. Para manter o preço da reparação tão baixo quanto possível, contornando o embróglio de separar o tampo inferior para garantir o acesso à tal trave, tive de apostar na criatividade e o problema foi resolvido com grampos construídos propositadamente para este trabalho e uma série de ímans, cada um deles com uma força de atracção de 17 kilos. O meu cliente tem esta guitarra afinada em open G. Delta Blues instantâneo.

gibson es 335-12 vintage afinas ou nao afinas celso pinto luthier porto
Continuando na América do Norte, temos esta Gibson ES 335-12, que apresentava uma geometria algo deformada ao nível do braço. Se, por acaso, se cruzarem com o sexteto do Miguel Moreira, irão apreciar esta guitarra de 12 cordas num contexto bem diferente do tradicional.

yamaha sbv500 vintage
Passando para o outro lado do planeta, temos um Yamaha SBV500 (?) bem antiguinho mas em óptimo estado. Coisa bonita! Numa próxima entrada deste blog vou falar mais um bocadinho sobre este baixo e algumas das suas particularidades.

The house of bass

70s precision bass headstock

4 entradas consecutivas sobre baixos no blog. Ufa.

Este é o Precision Bass do Jorge Romão (GNR), dos anos 70. A sessão de spa incluiu uma nova pestana em osso, fretdressing (uma operação que consiste em nivelar, bolear e polir todos os trastos) e uma nova pickguard que, invariavelmente, foi sujeita a envelhecimento precoce, tendo como inspiração a pickguard original.

Juntemos-lhe um conjunto de cordas de calibre .050″-.105″ e estamos prontos para a estrada.

4 bass-related posts in a row. Wow.

This 70’s Precision Bass belongs to GNR‘s Jorge Romão, and it’s his main axe. While in the shop, I had it fitted with a new bone nut, fretdressing (a compound procedure that consists of leveling, crowning and polishing the frets to a shine), as well as a new pickguard, carefuly reliced to the original broken pickguard’s dings and swirls.

Add some .050″-.105″ nickel strings and we’re back on track.

70s precision bass pickguard relic

70s precision bass hardcase

Rampage

bass ramp

A invenção é do senhor Gary Willis e o objectivo é simples: minimizar o desperdício de energia da mão direita do baixista. Músicos como Matt Garrison já adoptaram esta pequena modificação que altera, literalmente, a abordagem ao instrumento. Na forja está mais uma para o meu Jazz Bass, para disciplinar a minha mão direita.

A despropósito, este baixo é da marca Squier e envergonha muitos dos instrumentos do género que por aqui passam. Se existe algum segredo? Não. Este foi escolhido a dedo.

This is Gary Willis’ invention and it’s called a “Ramp”. The goal couldn’t be any simpler: to minimize stress on the player’s right hand. Musicians like Matt Garrison are now completely addicted to this quirky little mod. My next ramp is bound to end up on my Jazz Bass, for my right hands sake.

bass ramp

jazz bass willis ramp

jazz bass ramp final

Gibson EB-3 ’71

gibson eb3

Este é um baixo Gibson EB-3, com escala de 30,5 polegadas (shortscale). Foi popularizado por Jack Bruce, nos Cream, entre outros baixistas.

O modelo EB-3 foi alvo de sucessivas alterações ao longo dos anos e, este em particular, é relativamente fácil de datar.

– Mouting ring plástico no pickup do braço (que também conhecido como mudbucker), pelo seu grave flatulento. O pickup também se encontra suspenso por molas, ao contrário de outros EB-3;
– Circuito varitone de 4 posições;
– Os pickups contam com o logótipo Gibson gravado em baixo-relevo;
– A saída do baixo está montada na ilharga e não no tampo;
– Ponte tune-o-matic com selas de plástico (polioximetileno, para os curiosos);
– Logótipo em pérola sem ponto na letra i;
– Afinadores montados lateralmente. Este design contribui para um baixo bem mais equilibrado, com uma posição de repouso praticamente neutra.

This is a Gibson EB-3, shortscale bass (30,5″). I bet anyone remembers Jack Bruce playing this bass.

This one’s easy to date:

– There’s a plastic mounting ring surrounding the neck pickup, which is mounted on springs;
– Varitone circuit;
– Gibson logo stamped on each pickup;
– Side-mounted output jack;
– Plastic saddles (polyoxymethylene, if you’re wondering) on a tune-o-matic bridge;
– Pearl logo, undotted i;
– Side-mounted tuners, on a slotted headstock that actually removes just the right amount of mass to make the bass more balanced and comfortable to play with.

gibson eb3 body

gibson eb3 headstock

gibson eb3 electronics

gibson eb3 pickup patent

gibson eb3 1971

on the radio (soon)

x-wife fender precision bass 76

Os fãs dos X-Wife irão reconhecer este baixo. Este Precision Bass de 1975 estava com os trastos completamente inutilizados, a pestana apresentava sulcos demasiado baixos, que mais baixos seriam depois de trocar os trastos. Tratando-se de uma operação directa e, portanto, reversível, a ponte foi substituída por uma Leo Quan Badass II. A pickguard original encontrava-se partida em vários pontos críticos, tendo sido substituída anteriormente por uma fabricada manualmente, com resultados pouco satisfatórios. Tratei então de substituir por uma pickguard nova, que esteve sujeita às habituais técnicas de envelhecimento precoce, com o objectivo de garantir a sua funcionalidade sem ferir o charme deste baixo.

Na eventualidade do pickup activo EMG vos fazer comichão, posso assegurar que soa lindamente. Poderão testemunhá-lo no próximo álbum dos X-Wife que se encontram em estúdio neste preciso momento.

Fans of the electro-rock band X-Wife will certainly recognise this bass. It’s a Fender Precision Bass built around 1975. It’s frets were worn as worn can be. The nut slots were too low even before the fretjob, so a new nut had to be made along with a brand new Leo Quad Badass II bridge. Also brand new is the pickguard, which would appear like so, had it not been subjected to my usual aging techniques. The previous pickguard was custom made but was far from a perfect fit and also a bit on the ugly side as well.

Vintage gear nerds are expected to get a bit nervous after spotting that EMG active pickup. I assure you guys it sounds just wonderful on this bass. You’ll get a chance to agree with me, as the band is now recording their 4th studio effort.

x-wife by diana rui

Foto por Diana Rui – Photography.
Photo by Diana Rui – Photography.