Monthly Archives: February 2011

Gibson J-185

gibson j-185

Há algum tempo chegou-me esta Gibson J-185 com uma acção altíssima. Pediam-me que baixasse a altura das cordas retirando material ao nível da sela para resolver o problema mas, de todas as possibilidades, essa não seria a causa do problema. Poderia ser:

– um braço com um empeno côncavo muito pronunciado;
– uma pestana altíssima;
– um ângulo exagerado entre o corpo e o braço.

A pestana estava óptima. A deflexão do braço era ligeira e, após corrigida, continuei pouco satisfeito com os resultados. Seria possível, de facto, retirar massa à sela para baixar as cordas, mas isso nunca seria solução pois o problema encontrava-se mesmo no ângulo entre o braço e o corpo.

O nome da intervenção é neck reset ou, em bom português, uma recolocação do braço. É necessário trabalhar o encaixe de rabo de andorinha (o caso desta guitarra), reestabelecendo o ângulo correcto entre corpo e braço, respeitando tolerâncias como a da elasticidade do tampo sob tensão.

Qualquer guitarra acústica de qualidade necessita e merece esta intervenção de vários em vários anos. Aproveito para fazer um pequeno aviso à navegação para se recordarem deste post quando pedirem que vos baixem a sela no cavalete. Se o braço necessitar de ser recolocado e vos sugerirem isso, a guitarra irá perder um volume e projecção consideráveis.

This Gibson J-185 would be a killer guitar, had it not been cursed with a ridiculously high action. I’d been asked to lower the saddle in order to lower the action, but that wouldn’t be the right thing to do, as several aspects control string action:

– neck relief;
– nut slot height;
– exaggerated neck pitch.

The nut was fine. I had some slight relief going on, but the string action was still too proud for my (and the customer’s) tastes. The problem was, indeed, the neck pitch.

Dove-tail joints tend do give up a little bit, year after year, until it gets to the point where the guitar is pretty hard to play. Of course, I could lower the saddle in order to control string height, but the guitar would lose a significant amount of volume, clarity and projection. So… you’ve been warned.

acoustic neck reset

acoustic neck pitch

Mo’s Right

jazzmaster pickup template

Esta guitarra foi claramente inspirada na Mosrite (marca fundada nos anos 50 por Semie Moseley). A guitarra encontrava-se equipada com um par humbuckers convencionais, tangencialmente parecidos com os Widerange, da Fender. Insatisfeito com os resultados, e sendo esta uma guitarra severamente personalizada, o cliente decidiu experimentar estes soapbars do senhor Curtis Novak, que aparentemente cultiva, como todos nós, uma paixão ardente pelo mundo das offsets. Poético.

Para fazer a conversão tive que construir o molde do pickup a aplicar, o que veio bem a calhar para corrigir o alinhamento das cavidades, que se encontrava descentrado (offset?). O resultado é este:

This custom build from another luthier was clearly inspired by Mosrite (a US brand from the 50s, founded by Semie Moseley). This guitar had a pair of ordinary humbuckers that look a bit like Fender’s Widerange pickups. My customer was not happy with them and decided to give Curtis Novak‘s pickups a try. Curtis is a custom pickup manufacturer with a rather unmistakable penchant towards offset guitars. Like all of us, perhaps?

In order to fit in the pickups, I had to make the correct template for this specific pickups and covers. It proved itself a good idea because I had the chance to correct some alignment problems on the existing pickup cavities.

mosrite curtis novak soapbars

Changing diapers

Dentro de qualquer amplificador a válvulas podemos encontrar estes componentes. São condensadores electrolíticos e o seu tempo de vida ronda os 20 anos.

Esta fotografia foi tirada a um Fender Pro Reverb, da era Silverface. O amplificador ainda pertence ao dono original e, embora tenha a informação de que esta máquina esteve mais do que uma década parada, os condensadores já prescreveram há muito, muito tempo.

A substituição destes componentes, neste caso, é imperativa e podemos concluir isso observando o pólo positivo, onde se começam a formar pequenas protuberâncias à sua superfície. Intumescência electrolítica, chamemos-lhe. Eventualmente o condensador começa a sangrar (reparem no caso do terceiro a contar da esquerda) e entra em curto-circuito, ainda que o aparelho já tenha deixado de estar em condições óptimas antes disso acontecer. Essa sobrecarga poderá levar mais alguns componentes que se encontrem no seu caminho e o valor da reparação irá subir.

Regra geral, os condensadores electrolíticos são desenhados para durar entre 10 e 20 anos. Inevitavelmente, e porque estes componentes acumulam quantidades de energia capazes de matar um adulto, qualquer amplificador a válvulas deverá ser analisado por um profissional competente de 10 em 10 anos, mesmo que não apresente sinais de mau funcionamento.

Guess what, I’m too lazy to translate today. Try Google Translate. That should be a fun read.

The house of bass

70s precision bass headstock

4 entradas consecutivas sobre baixos no blog. Ufa.

Este é o Precision Bass do Jorge Romão (GNR), dos anos 70. A sessão de spa incluiu uma nova pestana em osso, fretdressing (uma operação que consiste em nivelar, bolear e polir todos os trastos) e uma nova pickguard que, invariavelmente, foi sujeita a envelhecimento precoce, tendo como inspiração a pickguard original.

Juntemos-lhe um conjunto de cordas de calibre .050″-.105″ e estamos prontos para a estrada.

4 bass-related posts in a row. Wow.

This 70’s Precision Bass belongs to GNR‘s Jorge Romão, and it’s his main axe. While in the shop, I had it fitted with a new bone nut, fretdressing (a compound procedure that consists of leveling, crowning and polishing the frets to a shine), as well as a new pickguard, carefuly reliced to the original broken pickguard’s dings and swirls.

Add some .050″-.105″ nickel strings and we’re back on track.

70s precision bass pickguard relic

70s precision bass hardcase