Este é o novo melhor amigo do atelier: um osciloscópio Tektronix produzido nos anos 60. Dentro dele encontra-se o modesto número de 30 válvulas. Tive a sorte de o encontrar em óptimo estado de conservação… talvez por ter pertencido ao exército americano. Coisa de museu.
Bass trap
De baixo para cima:
Fender Precision Bass ’66
Fender Precision Bass ’75
Fender Precision Bass ’80 CIJ
Fender Jaguar Bass
Jazz Bass (construído por mim)
Fender Jazz Bass FSR
Fender Jazz Bass MIM
To relic or not to relic?
Há alguns dias atrás coloquei aqui um post sobre uma Gibson Les Paul Junior de 1957 que tinha acabado de chegar.
A guitarra apresentava as habituais cicatrizes de um instrumento de palco com 53 anos mas, para além disso, tinha um fretjob extremamente irregular, uma pestana muito mal feitinha, um controlo de tonalidade que nunca funcionara, e uns afinadores que, além de historicamente incorrectos, se encontravam claramente danificados. Não se trata de uma guitarra de colecção, portanto. Podem ver este instrumento em qualquer concerto dos GNR* pelas mãos do Andy Torrence. Um cliente recente mas com quem criei uma empatia praticamente imediata.
Tratámos então de denunciar os problemas da guitarra e dar por encerrado o capítulo da negligência.
Vamos às fotos? Vamos.
A pestana a abater:
A pestana que fabriquei, em osso por branquear:
A electrónica completamente original e agora 100% funcional:
Os afinadores que equipavam esta guitarra eram uns Kluson waffleback em muito mau estado. O Andy trouxe uns keystones dourados mas rapidamente lancei a ideia de os esquecermos e colocarmos uns idênticos aos originais.
É aqui que se lança o repto: relicar, quando e porquê? A meu ver, os afinadores completamente novos iriam contrastar de um forma pouco elegante com este pedaço de história. Imaginemos uma personalidade jet-set de 50 e tal anos com algo a desafiar as leis da gravidade, à falta de metáfora mais colorida.
Os waffleback a substituir:
À esquerda temos os afinadores a instalar. À direita, afinadores originais dos anos 70, acarinhados pelo tempo:
Aproveitei para brincar um pedaço e experimentar várias técnicas de envelhecimento acelerado.
1. Afinador Gotoh à la Kluson de produção recente, sem envelhecimento
2. Set de afinadores ligeiramente envelhecimentos, sem tocar nos botões de plástico
3. Envelhecimento vincado, com a toada bege-acastanhada e sujidade induzida
4. Set original dos nos 70, de uma Gibson B45-12 que anda por aqui à espera de aprovação do orçamento para restauro completo. Uma referência em termos.
Et voilá:
De salientar que as ferragens foram cuidadosamente envelhecidas, não comprometendo a sua funcionalidade. Afinal de contas, os afinadores foram trocados porque os anteriores revelaram-se inúteis depois de 30 anos de abuso.
E chega a hora de dizer adeus à minha nova guitarra favorita. Aproveitei para tirar todas as medidas e fabricar alguns moldes, pelo que quando o tempo livre abundar terei coisas interessantes para fazer.
*no próximo dia 15, no Festival Marés Vivas, onde também eu vou tocar com O Lobo
Update: um par de fotos da guitarra a fazer o que é suposto, nas mãos do Andy.
Fotos por Diana Rui
Fab four
Da esquerda para a direita: Les Paul Special, Les Paul Junior, ’54 Les Paul Custom “Black Beauty”, ’60 Les Paul Custom.
Ponte partida: do, undo
Esta ponte partiu porque a sela se encontrava com uma folga considerável, fazendo com que a tensão se concentrasse num só ponto e não na superfície que lhe fora reservada.
O trabalho consistiu então na reparação da ponte, na elaboração de uma nova sela de osso cuidadosamente calibrada, na rectificação do rasgo da ponte e numa nova pestana também de osso.
Gibson Les Paul Junior ’57
Uma das minhas guitarras favoritas, sem dúvida alguma. Mais fotos e detalhes sobre este trabalho brevemente.
Amp party? Qual amp party?
De baixo para cima, da esquerda para a direita:
- Bugera 6262
- Marshall Super Lead 100
- Vox AC30
- Ampeg V-4B
- Rivera Fifty-Five Twelve
- Sovtek Mig50
- Fender Twin Reverb Silverface
- Mesa/Boogie Mark V
Rickenbacker 4001 de 1971
Era uma vez um Rickenbacker 4001 de 1971 com uma pestana de madeira mal amanhada e a escala a descolar. Ao contrário do que possamos pensar, nem todas as pestanas dos Rickenbacker eram produzidas a partir de bakelite.
Nos anos 70 era habitual encontrarmos alguns modelos com pestanas de um material de cor clara que muitos pensaram tratar-se de marfim. As averiguações que fiz, junto de alguns técnicos e luthiers da Rickenbacker, desvendaram que se tratava de osso animal. Este baixo tinha uma pestana de madeira pintada de branco, o que revela uma tentativa de substituir a original.
Em linha de concordância com o que tenho verificado com outros baixos desta marca, a escala apresenta uma tendência a descolar. Atribuo este padrão à acção do truss rod sobre a escala, ainda que possa estar errado.
Considerando que o baixo se encontrava em muito bom estado, não foi difícil devolver-lhe a dignidade.
Na secção Extra! há um wallpaper novo com este baixo.
De volta ao atelier…
Porque os telefonemas não pararam durante o Serralves em Festa, já tinha trabalhos à espera quando regressei ao atelier:
Um Musicman Stingray particularmente susceptível a ruídos e interferências eléctricas, foi alvo de blindagem para filtrar todos esses ruídos.
Por outro lado, temos aqui uma Hohner inspirada na Les Paul com a língua da escala totalmente descolada. Não sabendo exactamente porquê, esta foto faz-me recordar o trabalho de MC Escher.































