Deixo-vos uma pequenina colecção de fotos de alguns dos instrumentos que por aqui passaram nos últimos meses. Todos eles construídos nas décadas de 50 e 60, provenientes da Europa, Ásia e América do Norte.
Esta guitarra era distribuída pela Voss, um distribuidor alemão, nos anos 50. De acordo com o testemunho do meu cliente, a guitarra foi comprada no ano de 1954. Faltavam-lhe algumas selas e a electrónica estava com problemas menores. Esta guitarra precisa de um neck-reset mas não será para já.
Aqui temos uma Hofner Model 126 com os pickups Type 510. Esta guitarra é da primeira metade da década de 60. Já foi alvo de restauro, pelo que já conta com algumas alterações.
Continuando na década de 60, temos agora uma Harmony Monterey. Trouxeram-me esta guitarra por causa de uma vibração mecânica irritante em certos registos da escala. Tudo isto se devia a uma trave descolada no tampo inferior. Para manter o preço da reparação tão baixo quanto possível, contornando o embróglio de separar o tampo inferior para garantir o acesso à tal trave, tive de apostar na criatividade e o problema foi resolvido com grampos construídos propositadamente para este trabalho e uma série de ímans, cada um deles com uma força de atracção de 17 kilos. O meu cliente tem esta guitarra afinada em open G. Delta Blues instantâneo.
Continuando na América do Norte, temos esta Gibson ES 335-12, que apresentava uma geometria algo deformada ao nível do braço. Se, por acaso, se cruzarem com o sexteto do Miguel Moreira, irão apreciar esta guitarra de 12 cordas num contexto bem diferente do tradicional.
Passando para o outro lado do planeta, temos um Yamaha SBV500 (?) bem antiguinho mas em óptimo estado. Coisa bonita! Numa próxima entrada deste blog vou falar mais um bocadinho sobre este baixo e algumas das suas particularidades.
Volta e meia pedem-me para me divertir com a electrónica dos instrumentos. Neste caso a ideia é tornar uma Telecaster um pouco mais versátil e stage-ready. Coloquei um par de pickups Bare Knuckle (VHII e Black Guard), um killswitch e um selector de 4 pólos com 5 posições, onde é possível aceder a todas as combinações convencionais com o humbucker ou single coil na posição do braço. Um simples potenciómetro push-pull seria suficiente, mas a permutação entre combinações seria um nadinha mais elaborada. Evidentemente, tive de remodelar a cavidade para o pickup da posição do braço e, a pedido do meu cliente, a orientação da placa da electrónica foi invertida.
A tabela de combinações é então a seguinte, estando assinaladas com um asterisco as posições convencionais de uma Telecaster:
Considerando o espaço reduzido da cavidade da electrónica, não há forma de fazer este trabalho sem deixar emancipar uma certa obsessivo-compulsividade e, enfim, manter a casa arrumada.
A juntar ao killswitch, temos um condensador Vitamin Q e um outro, cerâmico, como treble bleed, para preservar o registo de frequências mais agudas enquanto se reduz o volume.
Et voilá. Uma vez mais, a Bare Knuckle não desilude.
A editora Matador Records disponibilizou hoje o primeiro tema de avanço para o álbum a solo do Lee Ranaldo. Como já tinha dito anteriormente, chamar-se-á Between the Times and the Tides e será editado em Março. Um passarinho chamado Ranaldo disse-me que este álbum deverá ser apresentado ao vivo em Portugal… ou não.
Podem ouvir o tema e ler um pouco mais sobre o assunto aqui.
Foi assim na Casa da Música, no último Clubbing. O Lee Ranaldo dos Sonic Youth, a solo, com uma guitarra acústica que construí. Podem ver fotos do processo aqui.
Fica o vídeo (registado por hugthedj) de uma versão acústica da Shouts, que vai fazer parte do álbum Between the Times & the Tides, a editar no início do próximo ano.
E, já agora, uma foto tirada pelo Lee, durante o dia, enquanto preparávamos os instrumentos numa das salas de ensaio da Casa da Música.
Isto é o que acontece quando uma Gibson Les Paul se rende às leis da Física.
Segue-se um processo de restauro moroso, com os materiais certos, tais como o esmalte apropriado com a cor devidamente afinada e laca nitrocelulose primorosamente polida. A juntar a isto, algumas técnicas pouco ortodoxas e potencialmente perigosas.
Afinas ou Não Afinas? é um atelier de reparação de instrumentos musicais de corda e este blog é a secção mais frequentemente actualizada do site. Música, guitarra, ferramentas e técnicas de reparação compõem repertório deste blog.
Todos os textos e fotografia são da autoria de Celso Pinto, luthier certificado pela Galloup School of Lutherie, Michigan - USA.
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